sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Nos limites




Viajar e conhecer o mundo: quem não quer? Eu, porém, sempre tive o pé atrás com o tipo “turista”. Sabe aquele de papete com meia, câmera no pescoço e garrafinha de água na cintura? Que horror! Minha idéia de turismo sempre foi a de integração, sentir o lugar na veia, ver o povão, comparar costumes e escutar outra língua.
Quero dizer que um mês de férias não me bastariam. E foi por isso que coloquei minha trouxinha nas costas e deixei o Brasil. 
Não podia imaginar as presepadas que arranjaria, embora soubesse que viriam muitas pela frente. Primeiro aportei em Londres. Lá trabalhei por qualquer trocado, dormi em pulgueiros e  fui feliz.
De vez em quando, pegava um turno extra de trabalho e comprava um vôo baratinho. Aproveitava para conhecer os vizinhos mais próximos. Até que um dia visitei Barcelona e me apaixonei por um par de olhos verdes que viviam por aqui.
Foi assim, bem resumido, que decidi fazer da Espanha (ou apenas Catalunha, como muitos preferem) minha nova casa. Por quanto tempo, não sabia. Mas, depois de dois anos na terra da Rainha, uma experiência em um país quente e latino me animava. Também me excitava a idéia de viver uma história de amor globalizada. Somos todos românticos, no fim das contas!
Decisão tomada, era hora de fazer as malas. Fácil, não? Nem um pouco! Fronteiras e sonhos nem sempre andam juntos. E papéis não dão conta de explicar tudo o que somos, sonhamos e amamos.
Por sorte, sou paciente. Ou teimoso? Que o digam meus amigos. De qualquer forma, tenho prazer em colecionar histórias. Com ou sem final feliz, não importa. Mas sempre com uma lição a aprender. 
Neste caso, conheci de perto alguns dos limites que os homens impõem. Físicas, sociais ou psicológicas, mas sempre barreiras, que excluem com a desculpa de proteger. Sem alongar mais a história, consegui cruzar essa barreira. Mas, do lado de dentro, ainda posso enxergar tantos outros que, com esperança ou resignação, continuam apartados. 

Um comentário:

eliza disse...

oba! quero 'ouvir' as histórias de "alguns dos limites que os homens impõem. Físicas, sociais ou psicológicas, mas sempre barreiras, que excluem com a desculpa de proteger"... delícia de texto Leozito! Manda mais!