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| Jordan Adams/Corbis |
Ao endossar o manifesto presbiteriano sobre a homofobia e o aborto, o reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo), posiciona-se, de forma intransigente e pouco democrática, como o resguardo moral da universidade.
O motivador destas declarações é o PL 5003/2001 da dep. Iara Bernardi (PT-SP). Aprovado pela Câmara dos Deputados em 2006 e encaminhado ao Senado Federal, o projeto de lei inclui os termos “orientação sexual” e “identidade de gênero” na mesma legislação que pune a discriminação e o preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional e gênero.
Ressalto em negrita o termo religião para evidenciar a ironia: os presbiterianos negam a outros a mesma proteção legal que o Estado oferece ao sentimento de religiosidade cristão. O argumento que justifica tal manifestação é que a lei fere o direito de expressão da igreja e faz dos homossexuais um grupo privilegiado.
Gostaria de lembrar que, desde 2001, o Estado de SP tem sua própria lei que pune a discriminação pela orientação sexual. E nem por isso, cristãos foram perseguidos ou tolhidos de seu direito de disseminar a intolerância. De todo modo, é extremamente difícil argumentar com o dogma religioso. Principalmente aquele pautado em interpretações literais da Bíblia, sempre citadas na hora de justificar o próprio preconceito. Quero dizer que, se o homem nasceu de Adão e Eva e um dia todos os animais da Terra couberam numa Arca, então é provável que nenhum cristão considere a mulher um ser igual ao homem, faça uso de anticoncepcionais ou tenha sexo antes do casamento.
Como no meu mundo, porém, é a Terra que gira em torno do Sol e a Justiça resolve melhor meus problemas que a lei mosaica do “olho por olho, dente por dente”, fiquei imaginando o constrangimento dos acadêmicos do Mackenzie com o posicionamento do seu chanceler.
Há séculos, a ciência e a religião se separaram. E, apesar de algumas tentativas frustradas, a reconciliação parece distante. A declaração do reverendo Nicodemos Gomes Lopes, em nome da Universidade, simplesmente ignora o papel do Mackenzie na evolução da ciência e joga no lixo os esforços de tantos pesquisadores comprometidos com o conhecimento. O reverendo esquece que o fato de o Mackenzie ser uma universidade cristã e confessional não lhe outorga o direito de utilizar a Bíblia como método científico. Se assim fosse, use o nome que quiser, mas não de Universidade.
Foi, por exemplo, a evolução do conhecimento que constatou que a homossexualidade é apenas mais uma forma de expressão sexual humana. Não é por acaso que, desde 1993, a OMS (Organização Mundial de Saúde) excluiu o termo “homossexualismo” de sua Classificação Internacional de Doenças. O departamento de psicologia de sua Universidade, reconhecido pela formação de qualidade que oferece, pode dar mais informações ao reverendo.
O mais triste é que declarações como estas coincidam com episódios como o que assistimos recentemente na av. Paulista, de ataques gratuitos a jovens por possível motivação homofóbica. Por mais que o reverendo pregue o respeito a todas as pessoas, “independentemente de suas escolhas sexuais” deve entender que pregações ferozes como esta ecoam na sociedade e contribuem com o ódio.
A homossexualidade é um fato e o papel da igreja não precisa ser o de aceitar. Mas promover a convivência pacífica. Cada um com suas próprias crenças e valores, mas aceitando que a sociedade é plural. Infelizmente, a atuação da igreja é a de querer ganhar no cabresto aquilo que já é incapaz de conquistar com a palavra.

2 comentários:
O texto esta muito bem escrito e a razao pela qual me chamou atencao foi que acredito que finalmente o Brasil esta comecando a aceitar que nao se pode simplesmente ofender e ficar por isso mesmo. Moro em Londres ha 9 anos pois cansei de passar por situacoes humilhantes por ser gay no Brasil. Devemos fazer com que as pessoas como esse chanceler passem bastante vergonha e sejam bem criticados para que os proximos pensem 10x antes de tornarem suas opinioes publicas. Todos tem o direito de aceitar ou nao certas coisas mas proliferar o odio deve ser condenado, qualquer que seja o motivo.
quero mais texto! cadê?
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